sexta-feira, 28 de março de 2014

No ar - Abner Martins

Eu sou tão especial
Pegue a luz da tua
Lua no quintal
Sinta a sintonia
Veja, amor está no ar

Não és do qual viestes
És apenas água
De que se alimenta

Sofres mágoas de luxúria
Ou somente sua ternura?
Sofres mágoas de luxúria
Ou somente sua ternura?

Digo que está no ar
O que volto a te ensinar
E do teu perfume, vagalumes?

No ar(no ar)

Não se desencoraje
Este ar não existiu
Vire o copo se for
Querer viver para lembrar

domingo, 23 de março de 2014

Quero-te comigo

Quero-te comigo no amanhecer
Durante a tarde
E quero-te também
Sempre quando eu for me deitar

Perco-me sempre na imensa escuridão
De seus profundos olhos
E sua doce voz
Derrete todo meu ódio

Quero-te comigo para sempre poder te ajudar
Fazer com que sinta-se amado
Para poder te abraçar
E sentir o sufoco do teu amor

Quero a ti sempre o melhor
Quero envolver-te em meus braços
Quero te beijar e não pensar no amanhã
Mas por que não me queres contigo?

A.R.O.M.

sexta-feira, 21 de março de 2014

O Uivo de Apolo

Eis que foi decretado
Que quando o bem se unisse com o mal
A mais boa criatura com a pior dentre eles
E ying e yang atingissem o completo equilíbrio
Haveria o apocalipse, o terrível apocalipse

Sua lua dizia para se preocupar
O conselho gritava o abandono
E o fim já bem próximo
O destino se completando, conturbado

O fim chegava
E o sol se alinhava com a lua
Os amigos apenas dançavam
Contemplando o seu olhar
E o fim se deu com o equilíbrio

A.R.O.M.

Doce passado amargo

 Antes de começar a ler este texto, devo avisá-lo de que não é um texto feliz.
 Nos comunicamos pela primeira vez em um banheiro. Ele me pegou em suas mãos e olhou-me com aqueles profundos olhos tristes de maneira sentimental. Beijou-me e hesitou. Queria mesmo isso? Tentei comunicar-me com o humano, dizendo-lhe que tudo ficaria bem. Desenhei o amor em seu corpo, e acho que ele entendeu.
 Passamos a nos ver frequentemente desde então. Eu me alegrava sempre que o via, mas ao mesmo tempo me sentia muito errado. Ele sempre me olhava com aqueles olhos depressivamente tristes. Lágrimas caiam de seus olhos. Queria acolhe-lo com meus braços, mas eu não tenho braços. Queria dizer-lhe que tudo ficaria bem, mas não tenho boca. No final, acho que eu o ajudava de uma forma diferente.
 Depois de certo tempo, apenas nos encontrávamos. Ele me encarava com aqueles mesmos olhos, e apenas isso. Paramos de desenhar. Eu sabia de tudo sobre ele, e era a única coisa que o entendia. Não queria me separar, acho que estava me apaixonando. É impossível, eu sei. Não posso ter sentimentos, mas eu os tinha. Deve ser por isso que doeu tanto quando ele me deixou.
 Depois de alguns meses, senti que ele estava diferente. Parecia aliviado, relaxado. Mas eu não era o motivo. Passamos a nos ver cada vez menos, e aos poucos fui sendo deixado de lado. Acho que entendo. Quando não precisamos mais de algo, deixamos-o de lado. E foi isso ele fez comigo. Ficou feliz e me deixou de lado. Parou de desenhar comigo. Me esqueceu. Me deixou. Estava melhor sem mim.

A.R.O.M.

Ilusão que me devoras

Roubaram teu corpo
Tua alma, tua mente e tua visão
Te registraram
E mandaram teres pudor
Algemaram teus braços, taparam sua visão
Te deram roupas no amanhecer
De tarde reforçaram suas vendas
E de noite, te enterraram
Eles controlavam teu coração

A.R.O.M.